A falta que Sócrates faz

Por Mino Carta

Este país é de poucos heróis definitivos, mesmo porque raros são os indiscutíveis. Getúlio, digamos. Visões e realizações de estadista, mas um largo período de ditadura. Não faltará quem sugira Pelé. Excepcional na prática da sua arte, exposto, porém, a graves reparos como figura pública, pronto a aceitar o papel de preto de alma branca, e bem sabemos o que significa alma branca nas nossas paragens.

Não hesito em propor Getúlio ao lado de Pelé, falo dos heróis do povo. Ocorre-me Machado de Assis, obviamente definitivo, receio, contudo, popular até certo ponto. Lula sim, o divisor de águas, o operário nordestino que muda a história do País, altera-lhe profundamente o curso com a sua simples eleição, de certa forma antes que pelo desempenho na Presidência.

E então Sócrates. Fosse da época da cavalaria medieval, seria outro Bayard, o cavaleiro sem jaça e sem medo. O luto costuma vestir os paramentos da retórica, quando não do pieguismo. Tenho certeza de não escorregar por tal ladeira ao enxergar no cidadão Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira um herói definitivo, de notável talento no trato da Leonor, inovador até, e extraordinário como figura pública, a comprender-lhe responsabilidades e alcances.

Falou-se bastante nestes dias de uma de suas façanhas, politicamente mais importante do que seus gols memoráveis, a criação da Democracia Corintiana, hoje celebrada em todo o mundo. Excluída a percepção de alguns analistas inclinados a examinar os fatos dentro da moldura histórica, entendeu-se o fenômeno como forma de rebelião contra dogmas impostos por cartolas e técnicos, e de consagração de um futebol feito de imaginação e picardia.

Pois o tempo era de ditadura, e aquela específica democracia configurava, antes de mais nada, um claro desafio ao regime imposto manu militari pelos eternos donos do poder, a serem entendidos, creio eu, como cartolas no sentido mais vasto e abrangente. Deste ângulo, no entendimento das vicissitudes políticas e das carências sociais do País, Sócrates é extraordinariamente incomum no nosso futebol, e no esporte em geral.

Trata-se de alguém capaz de colocar sua popularidade de craque a serviço de uma causa que vai muito além da autonomia dos profissionais do futebol, é a da liberdade e da igualdade do povo brasileiro, valores indispensáveis a uma democracia autêntica, aquela que ainda não atingimos. Há tempos conheci Sócrates, por dez anos privei com ele na sua qualidade de colunista de CartaCapital, e nunca duvidei da nitidez dos seus propósitos e dos seus ideais.

Sócrates se foi muito antes do tempo, soube viver a vida, no entanto, e de vários pontos de vista. Não lhe faltaram, por exemplo, boas leituras, matriz da boa escrita, própria da sua coluna, e da sua fala, na lida escorreita com o vernáculo e na exposição precisa das ideias. Era de conversa afável e colorida, ficava-se com ele no papo sem perceber a passagem das horas, misturavam-se pensamentos impregnados pela consciência da cidadania com a evocação de refregas pindáricas e todo um anedotário sorridente e às vezes nostálgico.

Alguém surpreendeu-se ao ler um breve texto que escrevi no domingo 4 para o site de CartaCapital, entregue à comoção do momento logo após ter sido informado a respeito da morte de Sócrates. Ali dizia ter tomado vinho com ele, na sua casa paulistana, de uma garrafa de decentíssimo cabernet aberto pela mulher dele, suave e devotada. Pois esta era a cortesia em Sócrates, sabia da minha preferência pelo vinho em lugar da cerveja e muitas vezes fez questão de adequar-se ao meu gosto.

Houve outras, em que me antecipei na escolha da loira borbulhante. Recordo a noite de um bar habilitado a servir também carne-seca com abóbora e arroz de bacalhau, fui de vinho, ele de cerveja, a bem da alegria de ambos. Sinto muita falta de noites iguais.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-falta-que-socrates-faz/

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O que vem agora?

No último domingo fomos congraçados com mais uma vitória sobre nosso maior rival. Estamos num momento triste, difícil para todos os que dão ao Corinthians uma importância maior que a de mais uma (entre outras) opção de lazer no final de semana.

Entretanto, será que apesar desta vitória ainda haverá ânimo para continuidade de uma luta aparentemente iniciada após a eliminação do Corinthians na Taça Libertadores?

Após o protesto de sábado, toda a grande imprensa e a diretoria, representada na pessoa de Andrés Sanches, trataram de malhar, isolar, e tentar diminuir a força que todo o movimento contrário à permanência de Ronaldo e a atual gestão possui.

Tudo feito à maneira da mídia informar e ao modo de Sanches governar: ausência de pluralidade de opiniões e respeito aos que lá foram se manifestar; autoritarismo e mentiras, todos convergentes na defesa dos que ainda continuam a apodrecer o Corinthians.

Assim sendo, o que nós, o lado odiado e emudecido da disputa, podemos fazer a partir daqui?

É evidente que por causa do uso político e propagandístico que se fez e se fará da vitória corinthiana no último domingo, da chegada de novas contratações, da existência de novas perspectivas em outros campeonatos, e graças aos ataques que já sofremos e ainda sofreremos, o movimento de contestação perdeu uma parte do conjunto de torcedores que poderiam nos conceder respaldo e apoio necessários ao crescimento do movimento.

Porém, cabe a nós, dentro deste quadro, iniciar um trabalho de base (antes e depois dos jogos, principalmente), a fim de se aproximar dos torcedores e esclarecer a eles nossos verdadeiros posicionamentos e métodos de atuação, e de encontrar entre tantos alguns que se interessem por se juntar a nós em nossas causas.

Fica aqui nossa sugestão.

É BOM QUE SE DIGA: TUDO O QUE É ESCRITO NESTE BLOG ESTÁ ABERTO AO DEBATE E À REFORMULAÇÕES.

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A Violência também ama

 

“A torcida é parte do Corinthians e nunca tomará outro rumo, comercial.

Estamos ligados de corpo e alma ao Corinthians.” (Flavio La Selva, em citação da 2ª edição do jornal

A Voz da Rua)

Quando questionado a respeito de suas esperanças para o Corinthians em uma Libertadores, é comum que o corinthianista tenha em seu íntimo algumas gotículas de desconfiança em relação à possibilidade do título (devido, claro, aos cansativos insucessos do time neste campeonato) e um rio caudaloso de crença real no que é almejado desde a primeira participação corinthiana neste torneio, em 1977.

Algo certamente esperado pelo corinthianista, por saber e ter consigo desde que se entendeu como ser do mundo Corinthians, é dedicação física e psicológica sem valor mercadológico, respeito venerável à camisa e às duas cores do clube, comprometimento e caráter para com o pacto recíproco de representação em que o jogador se insere ao aceitar jogar no campo pelos que jogam na arquibancada por ele.

Entretanto, nos momentos em que a coletividade corinthianista sente falta dos requisitos e qualidades que lhes mantém ativos na luta pelo Corinthians (esteja onde estiver), há uma ruptura na relação pactual que faz o Corinthians pertencer a sua torcida.

O método de resolução para esta instabilidade de relacionamento é quase sempre o mesmo: aproximação dos que realmente querem o Corinthians como Corinthians e afastamento gradual e permanente dos que querem o Corinthians e a Fiel como fonte rica e silenciosa de dinheiro fácil e apoio passivo.

Cientes do mal que faz o Corinthians padecer, a sofredora (não trouxa) gente corinthiana passa a buscar uma resposta curativa para o adoecimento de seu clube.

Desta vez, em 2011, assim como em todas as outras oportunidades, a iniciativa partiu de consideráveis parcelas críticas pertencentes ao universo das Torcidas Organizadas e de pessoas e setores também esclarecidos, porém não oficialmente organizados. Todos sinceros, todos apaixonados.

E foram lá.

Na quinta-feira, após o primeiro jogo contra o Desportes Tolima, um torcedor levou consigo um cartaz em que pedia empenho e respeito dos jogadores ao Corinthians.

Na quinta-feira, após o segundo jogo e eliminação, muros foram pichados, carros apedrejados; na sexta-feira, cerca de trinta torcedores se prontificaram a protestar novamente, mostrando cartazes em que se observavam críticas mordazes e necessárias, e jogando champangne no carro do mais romântico, honesto e amoroso jogador de nosso elenco.

No sábado, o maior e mais violento protesto até então: mais de trezentos homens, mulheres e crianças foram ao CT Joaquin Grava e apresentaram uma primeira resposta uníssona à situação desgastante e calamitosa a que fizeram o Corinthians e a Fiel chegar.

A contra-reação foi imediata, afinal, qual outra função a mídia teria além de ser mais uma espécie de polícia civil da aristocracia, defensora e fiscal canina da ordem social e política estabelecida?

Blogs e o Twitter também foram utilizados, não só pela mídia, mas também pelos que dela se alimentam sem ao menos retirarem-na a embalagem, como instrumentos potentes para o massacre moral pelo qual passaram os que protestaram.

“Vândalos, marginais”, “Depredaram o patrimônio do clube que amam”, “Essa demonstração de amor é que é difícil de entender”, etc. Multiplicaram-se em minutos as repetitivas análises vazias e manchetes deturpantes com respeito aos protestos, principalmente em relação à manifestação de sábado.

Dizem eles que torcedores verdadeiros não vandalizariam patrimônios pertencentes ao clube para o qual torcem. Porém, uma dúvida desinquieta minha compreensão.

Se é justamente a torcida quem sustenta o time em termos financeiros, comprando infinidades de produtos oficiais, ingressos para as partidas, e/ou se associando ao clube, logo, é relativamente fácil alcançar a conclusão de que o maior patrimônio do Corinthians é a Fiel. Sendo assim, quem depredou e vandalizou primeiro um patrimônio que não era seu?

Um atacante que recebe mensalmente R$ 1,5 milhão e marca 12 gols durante uma temporada inteira vandaliza muito mais os cofres de uma instituição, e de quem a financia, do que um trabalhador e/ou estudante que arremessa uma pedra em um ônibus.

Uma equipe administrativa que eleva os preços de ingressos de jogos se baseando em taxas percentuais consideravelmente incompatíveis com a inflação econômica brasileira depreda irremediavelmente a essência e o perfil do torcedor que freqüenta os estádios para jogar com o Corinthians.

Uma equipe de atletas que prefere manter regalias supérfluas e navegar na Internet a jogar com seriedade, empenho, profissionalismo, cospe e machuca com muito mais gravidade a honra de uma torcida do que fez o torcedor com um carro ao quebrar seu vidro traseiro.

Não que a terceira Lei de Newton possa e mereça ser aplicada em todas as reflexões que tematizem sobre o desenvolvimento de relações humanas, contudo, no caso das (re)ações que a torcida praticou para com a equipe é perfeitamente viável encaixar este postulado.

Houve um longo período de absorção de desrespeito, humilhações, esnobismos, mentiras, teatros. Chegou um momento em que não houve mais espaço em nossos sacos de paciência, e por isso foi preciso esvaziá-lo. A derrota para o Desportes Tolima não foi a única causa para tanto, foi sim o estopim, a gota d’água.

Dirão, assim como já propalaram, que a demonstração de insatisfação é um direito, a não ser que seja exercida com violência. Porém, é válido dizer que foi também por causa de várias movimentações e agitações violentas que transformações foram conquistadas e efetivadas em nossa sociedade.

Para não ser tratado como um dependente da História, usemos o exemplo hodierno do Egito: quanto sangue, quantas pedras, quantos carros, quanto fogo, quantas vidas não foram demandados nessa luta por melhores condições de vida, melhores condições de felicidade, melhores condições de fala pública?

Não que eu queria comparar Corinthians e Egito, situação com situação. Longe disso. Mas quanto da vitória de hoje não terá sido inspirado por cada uma das pedras da manhã do sábado?

A violência incomoda, mas nem sempre é inútil. A violência também ama, assim como odeia. Não é diferente com um abraço, com um beijo, com um olhar, com o jogar, com o negociar, com o roubar.

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Aos ricos, o futebol.

Por  Marcos Alvito*

Aos ricos, o futebol.

Os sinais estão por toda parte. Em 2005 o Maracanã fechou a geral, talvez o setor popular mais famoso do mundo, onde durante meio século floresceu uma cultura torcedora lúdica e carnavalesca. Em seu lugar foram colocadas cadeiras de plástico com preço seis vezes maior. O Maracanã, antes “o maior de todos”, vai virar um estádio para 76 mil pessoas. Esse encolhimento – que ocorrerá também nas dimensões do gramado – custará aos cidadãos “apenas” R$ 1,2 bilhão. Com a reabertura do estádio, calcula-se que os ingressos custarão pelo menos o dobro do que custam atualmente.

Recentemente realizou-se no Rio a Soccerex, feira internacional centrada no futebol-negócio. Nela, “especialistas” afirmaram que doravante o futebol brasileiro terá a classe A como clientela alvo, deixando de lado as classes B e C. Porque as D e E há muito não sentam em uma arquibancada. É claro que o evento foi financiado com dinheiro público. Em Santa Catarina, o Avaí aumentou em 50% o preço dos ingressos neste ano, passando de R$ 40 para R$ 60. No Paraná, o recém-promovido Coritiba já anunciou que aqueles que não aderirem a seu plano de sócio torcedor terão que desembolsar R$ 100 pelo ingresso avulso. Não é de se admirar que a média de público do campeonato brasileiro em 2010 tenha sido ridiculamente baixa: 14.839 pagantes. Isso é menos que a média do campeonato alemão da segunda divisão!

Não é o preço do ingresso o único fator para o afastamento do público. Hoje os estádios viraram estúdios para um show televisivo chamado futebol. No estádio-estúdio do Engenhão, que custou aos cofres públicos três vezes mais do que previa o orçamento, placas de publicidade impedem a visão de boa parte da linha de fundo, inclusive da linha do gol. Ingressos para esse setor “pagando pra não ver” custam, em jogo normal, R$ 30. A tabela do campeonato é alterada de uma semana para outra, modificando dias e horários sem respeito pelo torcedor. A rede de TV que monopoliza as transmissões há décadas transformou o futebol em sobremesa da novela, com jogos no meio da semana terminando por volta de meia-noite. Essa mesma rede é dona do pay-per-view, que a cada dia dá mais lucro. Ou seja: ela praticamente obriga os torcedores a se transformarem em telespectadores dos canais pagos.

Esse processo de expulsão dos torcedores mais pobres (ou menos ricos) é algo planejado e consciente. Ainda em 2004, o então presidente do Atlético Paranaense já afirmava que “o clube não precisa mais de torcedores, e sim de apreciadores do espetáculo”. Dentro dessa filosofia, proibiu a entrada de torcedores com bandeiras, tambores, faixas e camisas de torcidas organizadas. Por baixo de uma “nuvem midiática” vendendo a ideia de que estaria ocorrendo uma modernização do futebol brasileiro, o dinheiro do cidadão pobre financia, via impostos, sua própria expulsão. É um processo de Robin Hood ao contrário…

Chamar o futebol brasileiro contemporâneo de moderno, aliás, é piada de mau gosto. Por um lado temos uma estrutura política feudal mantida há décadas nos clubes, nas federações estaduais e na CBF. Por outro, o capitalismo selvagem na hora de extorquir os torcedores. A junção do atraso com a falsa modernidade é desastrosa.

Existe algo mais arcaico e tradicional que a venda de ingressos? Como vão sempre parar na mão dos cambistas? Será que as rendas reais são mesmo aquelas? Será que as gratuidades são mesmo aquelas? É um sistema obscuro que beneficia sempre os mesmos: empresas que fabricam os ingressos (e fazem adiantamentos aos clubes, presos a elas do mesmo modo que à televisão) e, mais uma vez, cartolas corruptos.

Por falar em polícia, qual é o principal instrumento de policiamento dos estádios? Investigação? Inteligência? Aparelhos sofisticados de filmagem? Acertou quem respondeu o cassetete, usado desde o Paleolítico. Em vez de prender e processar a minoria ínfima de torcedores que vai ao jogo para brigar, a polícia prefere bater. Desde quando o bom e velho porrete é sinônimo de modernidade?

A parte menos moderna, todavia, é o sistema de formação de jogadores. Milhões de jovens brasileiros sonham ser jogador de futebol. Poucos vão se tornar profissionais e, entre estes, pouquíssimos vão ganhar os altos salários que povoam o imaginário das classes populares. A formação de um jogador profissional demora em torno de 5 mil horas de treinamento em dez anos. Os clubes exploram essa mão de obra infantil sem nenhuma responsabilidade. Se o garoto de 11 ou 12 anos se machucar ou se não “servir” mais, o que ocorre? É simplesmente abandonado. Para onde vai? O Estado zela por ele? Regulação por parte do Estado, proteção aos jovens, preparação para a vida futura com ensino profissionalizante, nada disso ocorre.

Debaixo da bruma marqueteira que exalta a pseudomodernização assistimos a um processo de elitização perversa do futebol brasileiro. Perversa porque financiada com dinheiro do povo. Uma arte e cultura popular criada e mantida por gerações de brasileiros é saqueada em benefício de poucos. É o primeiro mandamento do futebol-mercadoria: dai aos ricos o futebol.

*Antropólogo, professor da Universidade Federal Fluminense – UFF, e membro da Associação Nacional dos Torcedores.

 

 

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Semana de Cultura do Centenário.

O ano de 2010 reserva a todos nós um grande privilégio: comemorar o centésimo aniversário do Sport Club Corinthians Paulista, instituição que reúne 26 milhões de corações apaixonados.

Os cem anos de Corinthians estão marcados por características únicas e fatos memoráveis.

Tratamos de sua origem operária e popular, de sua luta para firmar-se entre os grandes, de seus heróicos atletas, de suas mulheres especiais, do sofrimento da Fiel e de suas façanhas inigualáveis.

O Corinthians é um “case” no campo das relações humanas, da antropologia, da política, das ciências sociais e das artes. São os distintos elementos constitutivos da singular tradição corinthiana.

Relatar esses vários significados talvez levasse mais cem anos. Contudo, aproxima-se a data mais importante do ano (1º de Setembro) para os corinthianos, de modo que se exige um resgate dessa história ímpar.

Cada corinthiano tem algo que mais o encanta quando é chamado a relatar sua paixão. A Semana do Corinthians, que acontecerá entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro de 2010, no auditório do Museu do Futebol, tem por objetivo construir um painel dessas abordagens, destacando-as pela voz de ex-atletas, torcedores célebres e estudiosos do fenômeno futebol.

Alguns de nossos convidados são: Dr. Sócrates, Wladimir, Zé Maria, Celso Unzelte, Zé Teixeira, Heródoto Barbeiro, Marcelo Duarte, Juca Kfouri, Lalau (autor do livro Fiel 100 Anos), Marlene Matheus, Plinio Labriola, Leonor Macedo, John Mills, José Paulo Florenzano e Dona Valquíria e muito mais!

A proposta é que cada dia se debata um tema. Maiores informações sobre o que estará em pauta na Semana no site: www.semanadocorinthians.com.br ou pelo twitter @semanasccp.

Trata-se, obviamente, de uma atividade sem fins lucrativos. Entretanto, a entrada individual estará condicionada à doação de 1 kg de alimento não perecível, que será doado ao GRAACC.

Esperamos encontra-los por lá!

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O Corinthians no Futebol Moderno

Em História o termo “moderno” se aplica, didaticamente, a um período específico que compreende o espaço de tempo que vai de 1492 a 1789. Seu significado diz que moderno é tudo que está na moda, que existe há pouco tempo, que é próprio de nossos dias.

O Futebol, uma das maiores criações humanas, nasceu em anos pertencentes à Idade Contemporânea, porém, não está errado dizer que moderno e contemporâneo têm basicamente o mesmo significado. Jogar futebol era uma atividade nova, reformuladora dos valores componentes da educação física vigente nesta época. Com o tempo este esporte difundiu-se pelo mundo, ganhou popularidade e especificidades relacionadas aos povos e regiões que os recebiam de tempos em tempos. Foi, portanto, tornando-se “da moda”, ou moderno.

À medida que o Futebol ganhava adeptos surgiam os clubes e agremiações, cada uma fundada em opiniões e ideais peculiares aos seus patronos. Nesse ponto o Sport Club Corinthians Paulista não foi diferente, entretanto, as idéias e propostas que embasaram sua origem, junto com sua incomparável torcida, ajudaram-no a alcançar posição histórica de destaque em meio aos outros grandes clubes brasileiros. Clube operário, lutador e vencedor, logo se tornou querido pelas classes populares e odiado pela elite, até então dominante na prática profissional do Futebol.

Os anos, títulos, craques, tristezas, e esforços se acumularam, e o Corinthians foi se adaptando gradativamente à lógica econômica inevitável com a qual o futebol profissional se relacionou durante o século XX. Não sem protestos, o time do povo aderiu ao mercado de venda e compra de atletas, à cultura podre de troca de favores políticos, de uso indevido do clube para fins privados, de propagandas enganosas inventadas para ludibriar sua fiel torcida e favorecer os facínoras que ora ocupavam cargos da administração do clube.

O que é, então, o Futebol Moderno? E como o Corinthians se insere no processo de remanejamentos necessários à existência deste novo padrão de fazer-administrar-ser-futebol?

Como dissemos acima, o significado do termo “moderno” diz que moderno é tudo que está na moda, que existe há pouco tempo, que é próprio de nossos dias. O Futebol Moderno representa o novo modelo de gestão e relação criado entre dirigente/torcedor e clube de futebol, e suas conseqüências para a diversificação das concepções acerca da atuação possível e da atuação utópica dentro de um clube de futebol moderno com torcedores possuidores de paixões, anseios e preconceitos antigos.

É importante assinalar que o Futebol Moderno pouco cria, o que faz é transferir para os clubes, associações e federações a aplicação prática de um modo de administrar e expandir-se economicamente, sempre tutoriado pelos paladinos do neoliberalismo. Antes, é muito mais responsável por intensificar e remodelar dinâmicas e práticas econômicas interclubes iniciadas há mais de 80 anos, como exemplo a venda e compra de jogadores: há 50 anos ou mais a transferência de um jogador representava muito mais a perda de um competente atleta de qualquer posição, e acima de tudo um ídolo, do que uma possibilidade de geração de capital através de especulação e negociações. Além disso, só poderia ser efetuada a transação sob um acordo entre dois clubes e o jogador em questão.

Hoje, os valores envolvidos em vendas e compras de jogadores que atuam na Europa e América do Sul ultrapassam o PIB anual de vários países africanos e asiáticos. Há permissão e até regulamentação para participação de empresários (que em muitos casos representam mafiosos) em negociações de jogadores e até mesmo clubes de futebol menores, ou tradicionais.

Assim como seu genitor, o neoliberalismo, o Futebol Moderno pensa primeiro (e talvez só nisso) em evoluir, desenvolver-se, para depois pensar (se for vantajoso) na solução dos problemas resultantes da implementação de suas políticas. É mundialmente conhecido por fragmentar ou destruir (tradições, torcidas, clubes menores) e centralizar (o poder político e econômico dentro dos clubes), que por revolucionar e propor novos rumos para campos deficientes como democratização das estruturas de poder de clubes e federações, e aproximação política efetiva entre clube e torcedor.

O Corinthians, completamente inserido nos processos de reordenação econômica e política do futebol, fez sua torcida assistir a sua entrada oficial no espetáculo do show business há pouco tempo, se comparado a alguns rivais ou outros clubes pelo mundo. Entretanto, não está sendo menos doloroso. Uma “preparação” imprescindível para a entrada e fixação dos moldes do Futebol Moderno é a revisão constitucional-estatutária do clube, a fim de que se crie, sob a “égide democrática”, a profissionalização do exercício de qualquer função diretiva no clube. E assim foi feito, caso a caso, inclusive em nosso Corinthians.

A partir de então, presenciamos o aumento desenfreado do Marketing, do marketing pelo marketing, dos negócios pouco e mal fiscalizados envolvendo jogadores, empresários, diretoria e comissão técnica, também o aumento injustificado do preço de ingressos, a criação de programas de fidelização apenas interessados em trocar, e não aproximar, um produto (o Corinthians) por dinheiro e pontualidade no pagamento, entre outras medidas que ainda serão criadas sob a justificativa da inevitabilidade da realidade cruel, mas lucrativa.

Para debater este tema e pensar coletivamente em que situação estamos, se é esta realmente a única opção, e se poderemos sonhar com um futuro menos moderno e mais honesto, convidamos você a refletir sobre suas ações e opiniões frente às alterações pelas quais o Corinthians vem passando atualmente, e também a participar de debates e palestras que organizaremos em breve.

Aguarde informações!

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Da obsessão à obrigação

Abrir mão do Campeonato Paulista do ano do centenário corinthiano e inventar um rodízio desnecessário para preservar fisicamente o elenco foi, incontestavelmente, a primeira grande falha da atual comissão técnica do Corinthians.Estando em um grupo comprovadamente fraco, com certeza não foi necessário poupar tantos jogadores (os mais novos, principalmente) como realmente aconteceu.

Inflacionar os ingressos para os jogos da Libertadores, quase que obrigando os corinthianos despossuídos a se cadastrarem no programa de fidelização e desconto no preço dos ingressos, foi outra atitude passível de críticas e protestos intermináveis por parte da Fiel. Uma vez que sob o olhar “deles” tal campeonato é o mais importante para os corinthianos, não seria melhor se mais corinthianos pudessem ver o Corinthians jogar?

Em se tratando de futebol, os fatos ocorridos da metade do ano passado pra cá talvez tenham sido um prenúncio do inevitável: desmanche desnecessário e reposição mal feita; abrir mão do Campeonato Brasileiro e o episódio de jogar a toalha na 17ª rodada do Brasileirão, tendo como justificativa o foco na Libertadores.

Nossa paixão agora é refém do business da gestão Sanchez.

Na volta da equipe de porto alegre, após a vitória da Copa do Brasil o avião já estava adesivado com “Libertadores ‘Rala que rola'”, da Nike. Eles nos fizeram acreditar que ralariam, sangrariam, suariam, chorariam, e, principalmente, jogariam. Fomos enganados…

No domingo se iniciará o Campeonato Brasileiro 2010, em que o Corinthians estreará em casa jogando contra o Atlético Paranaense às 16 horas no Pacaembu. Será um momento importante por dois motivos: será o primeiro passo a dar rumo à concretização de uma obrigação, a saber, a vaga na Libertadores 2011; e em segundo, será mais uma ocasião propícia para protestos e cobranças pelo fracasso vergonhosamente anunciado na tentativa de concretização da maior obrigação entre todas as outras: a de jogar como o Corinthians e sua gente merecem.

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